domingo, 9 de agosto de 2020

Publicação

   Resultados de uma investigação realizada em contexto rural e mais tarde em 


urbano, no âmbito de um mestrado em Antropologia na vertente Natureza e Conservação, nesta publicação comparou-se os conhecimentos relativos à utilização de plantas aromáticas e medicinais em meio rural [duas freguesias da ilha (Fajã da Ovelha - concelho da Calheta e Ilha - concelho de Santana)] com o meio urbano (concelho do Funchal), verificando se há acréscimo, perda ou hibridação de saberes. Comparando os dados obtidos verificou-se que existe perda de conhecimento etnobotânico aquando de fluxo migratório de um meio rural para o urbano, bem como incorporação de novas espécies vegetais em contexto urbano.  


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quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Tamareiras

   No arquipélago na Madeira existem alguns exemplares da família Palmae (Areacaceae), Phoenix canariensis Chabaud e Phoenix dactylifera L. a primeira ornamental, a segunda cultivada por motivos alimentares, ambas introduzidas no século XI e nativas da Ásia Ocidental e do norte de África.
   A palmeira das tâmaras ou tamareira é mais esguia, de folhagem menos densa, verde -acidentada e de frutos mais volumosos e acastanhados com cerca de 30 mts,  é a espécie de mais antiga introdução no arquipélago. A palmeira das Canárias possui um caule robusto, de folhagem longa, recurvada, abundante, densa e verde-escura com cerca de 20 mts. 
   A tamareira é utilizada desde o Mesolítico, mais tarde, os povos sumérios cultivavam-nas para fins alimentares. Simbolizava fecundidade e longevidade, a Bíblia refere-a como uma árvore sagrada, onde a tâmara era considerada um mantimento divino.

Sabias Que?
A árvore tem raízes profundas na cultura árabe. As colheitas são bianuais e fazem-se nos meses de julho e agosto, e em novembro e dezembro. Existem várias variedades de tâmaras, a mais popular e requitada Deglet en nour, é frequentemente apelidada de rainha das tâmaras e cujo nome significa "Tâmara de Luz".

terça-feira, 5 de maio de 2020

D. Quixote de la Mancha (Cervantes)

As plantas ao longo da história do Homem são usadas para a alimentação, na medicina, como símbolos para ilustrar a beleza, tamanho ou forma ou ainda usadas na literatura como muitas funções e múltiplos significados, nomeadamente para ilustrar paisagens ou caracterizar pessoas.

O estudo da obra espanhola,  D. Quixote de la Mancha de  M. Cervantes (1547-1616), serve para compreender e enquadrar, qual a percepção do Homem acerca das plantas e suas utilidades no fim do século XVII. Nesta obra, foram mencionadas várias espécies com distintas aplicações, em especial como elementos de paisagem, as suas utilidades e como expressões simbólicas.

Com aplicações medicinais,  a planta mais abordada foi o alecrim (Rosmarinus officinalis), que segundo a receita de D. Quixote é aplicada para elaboração do "bálsamo de Fierabras", mistura de alecrim, azeite, vinagre e sal, o mesmo elixir usado para embalsamar Jesus. Esta planta após mastigada e misturada com sal também seria aplicada nas feridas. Ainda com aplicações medicinais foram referidas as plantas,  Cerotonia siliqua (alfarrobeira) usada para diarreias, as passas (Vitis vinefera) e amêndoas (Prunus dulcis) para aumentar a memória. 
Com propriedades mágicas é mencionada a Verbena officinalis (jervão) cuja infusão é misturada com vinagre e usada para acordar de um "sono profundo". 

Fonte: Pardo-de-Santayana et al. (2006). Plants in the works of Cervantes, Economic Botany

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

As Plantas e a arte

Árvore do Incenso
     A primeira obra sobre a simbologia das plantas no contexto religioso, "O Tratado das Significações das Plantas, Flores e Frutos", foi escrito no séc. XVII por Frei Isidoro de Barreira, membro da Ordem de Cristo. 
É nas obras de arte, literatura, que podemos encontram uma representação simbólica de plantas, em particular na arte sacra, que muitas vezes remete-nos para os versículos da bíblia. Existem, dezenas de plantas utilizadas em contextos simbólico na arte portuguesa, por exemplo, a açucena (anunciação, virginidade, pureza), amêndoa ( aprovação divina), árvore (sem folhas - morte; plena de folhas e frutos - vida), carvalho (atributo da Virgem Maria), feto ( graça, beleza e humildade), hera (morte, imortalidade, afeto), linho (retidão, pureza dos anjos, etc), narciso (egoísmo), rosa (atributo da Virgem Maria, martírio), paixão de Cristo (benção divina), trigo (corpo de Cristo), etc. 
Nas várias obras que representam "A Adoração dos Magos", conservadas em museus nacionais e em representações  mais comuns, em barro e gesso, apreciadas na época de Natal para recriar o nascimento de Cristo, é comum observar-se as oferendas dos Reis Magos de ouro, mirra e incenso, com o significado simbólico de realeza, mortalidade e divindade respetivamente. Duas das quais, oferendas provenientes de plantas, a mirra (Commiphora myrra) e incenso (Boswellia sacra).


Fonte: Carvalho, L. M. 2019. As Plantas e os Portugueses - Património, Tradição e Cultura. Lisboa.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Género Orchis sp.

       As orquídeas pertencem à família Orchidaceae e ao género Orchis sp. Desde a Antiguidade que este género está associado à sexualidade, sendo os espécimes ingeridos por serem considerados afrodisíacos. Na mitologia grega, Orchis, era um homem que agrediu uma sacerdotisa e cujo castigo foi ser rasgado em pedaços, dos quais brotaram uma planta com tubérculos semelhantes a testículos. Em algumas sociedades ainda é consumida a planta, em Israel comem-se os  seus bolbos para combater a impotência, e na Turquia são considerados afrodisíacos. Em Itália, podemos ainda encontrar a espécie Orchis italica, onde em tempos era ingerida. Tem como o nome comum, orquídea homem nu pois a sua morfologia lembra um homem.

Fonte: National Geographic. (2019). Mitos e Medicina Tradicional Juntam-se nas Orquídeas. Portugal, 107 pp. 

terça-feira, 25 de junho de 2019

As plantas ao longo dos tempos.

 As plantas são utilizadas pelo Homem desde o início da humanidade para uma variedade de propósitos, alimentares, medicinais, construção de abrigos, etc. As plantas aromáticas, mais concretamente, as especiarias com compostos voláteis eram usadas como condimentos ou para preservar a comida, durante milhares de anos foram um importante nicho no mercado global, estimulando uma crescente procura por novas plantas exóticas e rentáveis. 
     Das cidades estado da antiga Grécia e das rotas da seda do este da Ásia surgiram novas espécies vindas da Alexandria e Egipto, que tornou-se este último, o centro abastecedor para a região mediterrânica expandindo-se mais tarde pela Europa.  Ricas em compostos aromáticos eram também utilizadas na medicina, nos cosméticos ou ainda para fragrâncias já conhecidas pelos antigos egípcios, famosos pelos odores e perfumes, onde o óleo essencial era extraído esmagando as plantas ou flores em óleo. Centenas de óleos eram produzidos de diferentes flores, óleos estes, com o intuito de defesa contra ataques de insectos, doenças de plantas ou calor extremo. O próprio termo perfume deriva do latim, “per fumum” ou “pro fumum”, que significa “pelo fumo” refletindo as origens religiosas das fragrâncias usadas no incenso e nas mumificações, e estando associada à ideia de purificação. 
Árvore da Mirra
-Commiphora myrrha (Nees) Engl.
   Empregues também como oferendas, serviam para relacionar o homem com os Deuses, particularmente nos momentos difíceis e perigosos, tais como os nascimentos, uma viagem, guerra ou até a morte. Nos lares, no antigo Egípto queimavam-se ainda as plantas aromáticas e cobria-se o soalho com as suas folhas, como fim de perfurmar o ambiente, contudo, o registo mais antigo da utilização destas aromáticas, remonta ao Neolítico, no qual foi encontrado vestígios de um homem envolvido nestas plantas, identificadas por restos de grãos de pólen. Mais tarde, na época medieval julgava-se, que os perfumes seriam importantes na prevenção de doenças, sendo profiláticos, o que poderá indicar uma eficácia indirecta como repelente de insectos, possíveis vectores de doenças.
Nota: A mirra Commiphora myrrha (Nees) Engl (imagem) e o incenso (Boswellia sp.) são resinas (secreções libertadas pelas plantas), a primeira utilizada na medicina como desinfestante e analgésico, e o segundo,  incenso usado para perfumar casas e locais de culto.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Brasão de Armas

    As plantas tornaram-se ao longo dos tempos, símbolos de regiões, países ou movimentos políticos, as rosas  (Rosa sp. - Guerra das Rosas em Inglaterra), malmequer e cerejeira (Chrysanthemum sp. - flor imperial e Prunus sp. - fenómeno social na época de floração, no Japão), cravo (Dianthus caryophyllus - símbolo da revolução pela liberdade e direitos civis em Portugal).
    Mas não só, com a revolução de 5 de outubro de 1910, organizada pelo Partido Republicano Português onde destituiu-se a monarquia constitucional e implantou-se o regime republicano em Portugal, grandes mudanças políticas e sociais ocorreram. A bandeira e brasão de armas nacionais não foram exceções, sofrendo alterações,  o brasão de armas passa a incluir elementos botânicos, um escudo sobreposto a uma esfera armilar, com cinco escudetes de azul rodeados por bordadura a vermelho, com sete castelos e rodeado por dois ramos de oliveira (Olea sp.).

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Na pintura

Proserpine -
Româ: Punica granatum
Virgin Mary - Rosas: Rosa sp.,
Videira: Vitis vinifera 
B. Damozel
Lírios: Iris sp.
           No século XIX, surge na Inglaterra um movimento literário e artístico, criado por um grupo de intelectuais com o objetivo de responder às mudanças sociais e culturais ocorridas devido à revolução industrial. Entre os mesmos, encontrava-se  Dante Gabriel Rossetti, artista, que também acreditava que a sociedade da altura estava a perder as suas bases morais e éticas,  e que deveria seguir ou estar mais próxima  dos valores ligados à natureza, tais como seguidos na antiguidade clássica e a sociedade da idade média. Influenciados por poetas medievais, tais como Dante Aligheri, este artista em particular, representava plantas nos seus quadros pelo significado simbólico. Criou vários quadros famosos, entre os quais: Proserpine, The Girlhood of Mary Virgin, Blessed Damozel, Roman Widow, entre outros.
Roman Widow -
Rosas: Rosa sp.





quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Poesia

                                                                                                              
Se andava no jardim, 
Que cheiro de jasmim!
Tão branca do luar!
A hora do jardim.
O aroma de jasmim.
A luz do luar. 
 

Pessanha, C. in Se andava no jardim

domingo, 4 de setembro de 2016

Na tinturaria...

As plantas, dão também o seu contributo na tinturaria, de onde surgiram várias cores para tingir tecidos e peças de vestuário. Na ilha da Madeira desde o início do povoamento, séc. XV, os primeiros colonos, engenhosos, para obter as cores desejadas recorriam a vários processos e fontes, de origem vegetal: índigo (Indigofera tinctoria), casca de nogueira (Juglans regia) e/ou carvalho (Quercus robur), dragoeiro (Dracaena draco), entre outras; e de origem animal: chocos, búzios, etc... Em laboratório, apenas no séc. XVII foram isoladas as primeiras cores primárias, e a partir do séc. XIX, surgem então um maior espectro de misturas e degradações, oferecendo aos fabricantes de tecidos, inúmeras combinações.
O azul é raro nas plantas, como tal, o famoso azul índigo proveniente de Indigofera tinctoria, família Leguminosae, continua em muitas culturas contemporâneas a ser utilizado para tingir vestes tradicionais de comunidades, que vivem em regiões desde África (Marrocos) à Arábia. Entre estas, estão as "pessoas azuis do Sahara" ou as "pessoas do véu": os tuaregues, grupo nómada que vive no deserto do Sahara, e que tradicionalmente usam o tagelmust, simultaneamente véu e turbante, azul, que tornou-se um símbolo de status e prosperidade, e de um grupo ético. 

De Carvalho, L. M. 2011. The Symbolic Uses of Plants, in Ethnobiology. (eds. E.N.Anderson, D.Pearsall, N.Turner), John Wiley&Sons, Inc., NJ, USA.Nóbrega, M.A.C. 1999. O Traje Regional - Achegas para a sua Divulgação. 1.º edição. Editorial Eco do Funchal, Camacha.