sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

Betúla ou Vidoeiro

    A família Betulaceae possui 6 géneros; englobando o género Betula sp. 40 espécies, que surgem em locais distintos do hemisfério norte. A maioria são árvores de porte médio, com inflorescências em forma de amentilhos e de sementes aladas. 

Na ilha da Madeira, temos um exemplar deste género, a Betula celtiberica Rohm&Vasc. (sinómino B. alba) que encontra-se naturalizada;  e pode ser encontrada em alguns lugares húmidos e de altitude elevada. É nativa da Península Ibérica. 

De tronco esbranquiçado e utilizada desde tempos imemoriais, era considerada a árvore sagrada dos druídas, representando o começo, a renovação e o renascimento. Assumida como a árvore da Deusa, simbolizava ainda no primeiro nível do druidismo (Bardo), a criatividade, a purificação e disciplina.

No hemisfério norte era associada à pureza, os seus galhos com qualidades de proteção eram usados para aspergir pessoas e locais, e afastar as más energias e espíritos malignos. Aos recém casados eram ofertados pequenos galhos para garantir a fertilidade do casal e no País de Gales eram elaboradas grinaldas, habilmente colocadas sobre os berços para proteger os bebés. 

Sabias que ?

 Em certas regiões da Europa, os agricultores  plantavam bétulas em redor das casas para protegerem-se dos raios e usavam o sumo das folhas para evitar microrganismos no queijo.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Ginkgo biloba

    Considerada um "fóssil vivo" esta espécie remonta à Era Mesozoíca, onde convivia com os dinossauros e as coníferas.  É a única espécie representante da família Ginkgoaceae atingindo os 25 - 30 metros de altura. De folhas em forma de leque, esta árvore dioíca, perde as suas folhas amarelas-douradas no Outono. Possui ainda inflorescências sob a forma de amentilhos amarelados, os frutos são ovados amarelados tornando-se acastanhados com  idade, e sendo comestíveis no Oriente.  

     Na ilha da Madeira, podemos encontrar alguns exemplares nos jardins de quintas centenárias ou ainda nos jardins públicos da cidade do Funchal. Atingindo milhares de anos de longevidade, a árvore é cultivada também pelas suas propriedades medicinais. Na China, o imperador Cheng Nong (2700 a.C.), mencionava a mesma como estimulante para circulação. 

Sabias que?

No século XX, após vários estudos efetuados, determinou-se indicações terapêuticas dos extratos das plantas para estados depressivos, perdas de memória, de atenção, vigilância, perturbações auditivas, olfativas e visuais, bem como patologias arteriais crónicas dos membros inferiores.

domingo, 15 de novembro de 2020

Romazeira

    Pertencendo à família Lytheraceae a romãzeira é originária do Médio-Oriente, sendo utilizada como alimentar e medicinal. Como medicinal, é usada principalmente através de infusões para baixar níveis de pressão arterial. 

 A romã com as suas sementes vermelhas envolta pelo epicarpo tem sido ao longo dos tempos envolta em diversos simbolismos. Considerada símbolo de diversidade cósmica, monarquia governante, fertilidade no casamento, sinónimo de lealdade, e do mito do retorno eterno. Segundo a lenda, quando a deusa grego-romana Perséfone estava a recolher flores, a Terra abriu-se, o seu tio Hades (Plutão) apareceu e levou-a para o submundo. A mãe desolada, Deméter (Ceres) percorreu o mundo à sua procura e como não a encontrou, os campos deixaram de produzir milho, o Homem seria condenado, se Zeus (Júpiter) não convencesse Hades a libertar Perséfone. Antes de a deixar, Hades persuadiu-a a comer algumas sementes de romã, que as ingeriu desconhecendo as consequências pois todos aqueles que comiam algo no submundo não teriam uma partida definitiva, sendo forçados a um eterno retorno. Neste mito grego-romano explica-se também as estações do ano: a alegria, a Primavera; a reunião de mãe e filha, Verão; a procura, o Outono, a tristeza pela separação, o Inverno.

A Árvore da Vida

    No passado, as pessoas faziam sacrifícios às árvores para que os espíritos que lá viviam realizassem os seus pedidos. Consideradas como o abrigo dos
espíritos e deuses também são símbolos de um renascimento contínuo e eterno. Muitas árvores têm sido mencionadas como a " Árvore da Vida", a figueira (Ficus sycomorus) no Egipto, a oliveira (Olea europae), a palmeira ( Phoenix dactylifera) e a romazeira (Punica gramatum) no Médio Oriente. 

A  visão da "Árvore da Vida", uma imponente e divina árvore, centro de todo o fluxo de energia que unia os reinos sobrenaturais e o mundo humano percorreu os séculos. Esta árvore com raízes no submundo unia a Terra ao Reino dos Céus, e tornou-se num símbolo universal, o início de toda a criação. 

Na Bíblia, a "Árvore da Vida" está localizada no centro do Jardim do Éden, o "berço" do Mundo onde a ordem divina regulava todos os seres vivos.  Muitas culturas mencionam, que a "Árvore da Vida" se encontrava num alto de uma montanha sagrada e que das suas raízes brotava uma fonte de todo o conhecimento. Através desta, o Homem poderia ascender a níveis superiores de iluminação espiritual, alcançar a salvação e libertar-se de um ciclo de sofrimento eterno. Os seus frutos podiam conceder também imortalidade, tal como os pêssegos (Prunus persica), frutos mencionados no Taoísmo Chinês ou as maças (Malus domestica). Na mitologia grego-romana, os deuses bebiam um doce néctar produzido  de flores, uma divina exalação da Terra, para garantir a eterna juventude e sabedoria. 

Fonte: Carvalho, L. 2011. The Symbolics Uses of Plants, in E. N. Anderson, D. Pearsall, E. Hunn, and N. Turner, Ethnobiology,  Wiley-Blackwell Editions, England.


domingo, 9 de agosto de 2020

Publicação

   Resultados de uma investigação realizada em contexto rural e mais tarde em 


urbano, no âmbito de um mestrado em Antropologia na vertente Natureza e Conservação, nesta publicação comparou-se os conhecimentos relativos à utilização de plantas aromáticas e medicinais em meio rural [duas freguesias da ilha (Fajã da Ovelha - concelho da Calheta e Ilha - concelho de Santana)] com o meio urbano (concelho do Funchal), verificando se há acréscimo, perda ou hibridação de saberes. Comparando os dados obtidos verificou-se que existe perda de conhecimento etnobotânico aquando de fluxo migratório de um meio rural para o urbano, bem como incorporação de novas espécies vegetais em contexto urbano.  


Estão disponíveis livros para venda. Contactar através do e-mail

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quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Tamareiras

   No arquipélago na Madeira existem alguns exemplares da família Palmae (Areacaceae), Phoenix canariensis Chabaud e Phoenix dactylifera L. a primeira ornamental, a segunda cultivada por motivos alimentares, ambas introduzidas no século XI e nativas da Ásia Ocidental e do norte de África.
   A palmeira das tâmaras ou tamareira é mais esguia, de folhagem menos densa, verde -acidentada e de frutos mais volumosos e acastanhados com cerca de 30 mts,  é a espécie de mais antiga introdução no arquipélago. A palmeira das Canárias possui um caule robusto, de folhagem longa, recurvada, abundante, densa e verde-escura com cerca de 20 mts. 
   A tamareira é utilizada desde o Mesolítico, mais tarde, os povos sumérios cultivavam-nas para fins alimentares. Simbolizava fecundidade e longevidade, a Bíblia refere-a como uma árvore sagrada, onde a tâmara era considerada um mantimento divino.

Sabias Que?
A árvore tem raízes profundas na cultura árabe. As colheitas são bianuais e fazem-se nos meses de julho e agosto, e em novembro e dezembro. Existem várias variedades de tâmaras, a mais popular e requitada Deglet en nour, é frequentemente apelidada de rainha das tâmaras e cujo nome significa "Tâmara de Luz".

terça-feira, 5 de maio de 2020

D. Quixote de la Mancha (Cervantes)

As plantas ao longo da história do Homem são usadas para a alimentação, na medicina, como símbolos para ilustrar a beleza, tamanho ou forma ou ainda usadas na literatura como muitas funções e múltiplos significados, nomeadamente para ilustrar paisagens ou caracterizar pessoas.

O estudo da obra espanhola,  D. Quixote de la Mancha de  M. Cervantes (1547-1616), serve para compreender e enquadrar, qual a percepção do Homem acerca das plantas e suas utilidades no fim do século XVII. Nesta obra, foram mencionadas várias espécies com distintas aplicações, em especial como elementos de paisagem, as suas utilidades e como expressões simbólicas.

Com aplicações medicinais,  a planta mais abordada foi o alecrim (Rosmarinus officinalis), que segundo a receita de D. Quixote é aplicada para elaboração do "bálsamo de Fierabras", mistura de alecrim, azeite, vinagre e sal, o mesmo elixir usado para embalsamar Jesus. Esta planta após mastigada e misturada com sal também seria aplicada nas feridas. Ainda com aplicações medicinais foram referidas as plantas,  Cerotonia siliqua (alfarrobeira) usada para diarreias, as passas (Vitis vinefera) e amêndoas (Prunus dulcis) para aumentar a memória. 
Com propriedades mágicas é mencionada a Verbena officinalis (jervão) cuja infusão é misturada com vinagre e usada para acordar de um "sono profundo". 

Fonte: Pardo-de-Santayana et al. (2006). Plants in the works of Cervantes, Economic Botany

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

As Plantas e a arte

Árvore do Incenso
     A primeira obra sobre a simbologia das plantas no contexto religioso, "O Tratado das Significações das Plantas, Flores e Frutos", foi escrito no séc. XVII por Frei Isidoro de Barreira, membro da Ordem de Cristo. 
É nas obras de arte, literatura, que podemos encontram uma representação simbólica de plantas, em particular na arte sacra, que muitas vezes remete-nos para os versículos da bíblia. Existem, dezenas de plantas utilizadas em contextos simbólico na arte portuguesa, por exemplo, a açucena (anunciação, virginidade, pureza), amêndoa ( aprovação divina), árvore (sem folhas - morte; plena de folhas e frutos - vida), carvalho (atributo da Virgem Maria), feto ( graça, beleza e humildade), hera (morte, imortalidade, afeto), linho (retidão, pureza dos anjos, etc), narciso (egoísmo), rosa (atributo da Virgem Maria, martírio), paixão de Cristo (benção divina), trigo (corpo de Cristo), etc. 
Nas várias obras que representam "A Adoração dos Magos", conservadas em museus nacionais e em representações  mais comuns, em barro e gesso, apreciadas na época de Natal para recriar o nascimento de Cristo, é comum observar-se as oferendas dos Reis Magos de ouro, mirra e incenso, com o significado simbólico de realeza, mortalidade e divindade respetivamente. Duas das quais, oferendas provenientes de plantas, a mirra (Commiphora myrra) e incenso (Boswellia sacra).


Fonte: Carvalho, L. M. 2019. As Plantas e os Portugueses - Património, Tradição e Cultura. Lisboa.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Género Orchis sp.

       As orquídeas pertencem à família Orchidaceae e ao género Orchis sp. Desde a Antiguidade que este género está associado à sexualidade, sendo os espécimes ingeridos por serem considerados afrodisíacos. Na mitologia grega, Orchis, era um homem que agrediu uma sacerdotisa e cujo castigo foi ser rasgado em pedaços, dos quais brotaram uma planta com tubérculos semelhantes a testículos. Em algumas sociedades ainda é consumida a planta, em Israel comem-se os  seus bolbos para combater a impotência, e na Turquia são considerados afrodisíacos. Em Itália, podemos ainda encontrar a espécie Orchis italica, onde em tempos era ingerida. Tem como o nome comum, orquídea homem nu pois a sua morfologia lembra um homem.

Fonte: National Geographic. (2019). Mitos e Medicina Tradicional Juntam-se nas Orquídeas. Portugal, 107 pp. 

terça-feira, 25 de junho de 2019

As plantas ao longo dos tempos.

 As plantas são utilizadas pelo Homem desde o início da humanidade para uma variedade de propósitos, alimentares, medicinais, construção de abrigos, etc. As plantas aromáticas, mais concretamente, as especiarias com compostos voláteis eram usadas como condimentos ou para preservar a comida, durante milhares de anos foram um importante nicho no mercado global, estimulando uma crescente procura por novas plantas exóticas e rentáveis. 
     Das cidades estado da antiga Grécia e das rotas da seda do este da Ásia surgiram novas espécies vindas da Alexandria e Egipto, que tornou-se este último, o centro abastecedor para a região mediterrânica expandindo-se mais tarde pela Europa.  Ricas em compostos aromáticos eram também utilizadas na medicina, nos cosméticos ou ainda para fragrâncias já conhecidas pelos antigos egípcios, famosos pelos odores e perfumes, onde o óleo essencial era extraído esmagando as plantas ou flores em óleo. Centenas de óleos eram produzidos de diferentes flores, óleos estes, com o intuito de defesa contra ataques de insectos, doenças de plantas ou calor extremo. O próprio termo perfume deriva do latim, “per fumum” ou “pro fumum”, que significa “pelo fumo” refletindo as origens religiosas das fragrâncias usadas no incenso e nas mumificações, e estando associada à ideia de purificação. 
Árvore da Mirra
-Commiphora myrrha (Nees) Engl.
   Empregues também como oferendas, serviam para relacionar o homem com os Deuses, particularmente nos momentos difíceis e perigosos, tais como os nascimentos, uma viagem, guerra ou até a morte. Nos lares, no antigo Egípto queimavam-se ainda as plantas aromáticas e cobria-se o soalho com as suas folhas, como fim de perfurmar o ambiente, contudo, o registo mais antigo da utilização destas aromáticas, remonta ao Neolítico, no qual foi encontrado vestígios de um homem envolvido nestas plantas, identificadas por restos de grãos de pólen. Mais tarde, na época medieval julgava-se, que os perfumes seriam importantes na prevenção de doenças, sendo profiláticos, o que poderá indicar uma eficácia indirecta como repelente de insectos, possíveis vectores de doenças.
Nota: A mirra Commiphora myrrha (Nees) Engl (imagem) e o incenso (Boswellia sp.) são resinas (secreções libertadas pelas plantas), a primeira utilizada na medicina como desinfestante e analgésico, e o segundo,  incenso usado para perfumar casas e locais de culto.