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segunda-feira, 27 de julho de 2026

Oliveira

     Árvore considerada abençoada pelas religiões cristã, hebraica e islâmica teve um importante papel nas civilizações em redor do Mar Mediterrâneo. Na Antiga Grécia, era a árvore sagrada de Atenas, uma oferenda da deusa Atena à cidade e aos seus habitantes. Nessa época eram elaboradas coroas com pequenos ramos, e dadas aos vencedores dos Jogos Olímpicos simbolizando glória eterna e imortalidade. A oliveira está ainda associada a vários rituais cristãos, nomeadamente, a unção com azeite, no baptismo, ordenação e extrema-unção na hora da morte. Assim como, durante séculos no Mediterrâneo, vários templos, igrejas e mesquitas eram iluminados com azeite.
Ora, no arquipélago, temos a oliveira brava, da rocha ou zambujeiro, espécie endémica da Madeira, Porto Santo e Desertas outrora utilizada pela população. Esta espécie ocorre nas escarpas rochosas do litoral até aos 500 metros de altitude. A Olea madeirensis (Lowe) Rivas Mart. & del Arco pode atingir os 2,5 m de altura apresenta  folhas oblanceoladas a linear lanceoladas, verde acinzentadas e flores brancas reunidas em panículas axilares, assim como forma, um fruto elipsóide verde, preto quando maduro. 
O "chá" das folhas desta planta era usado pelos camponeses para dores de cabeça, hipertensão e tonturas. Uma das tradições ligada a esta árvore ocorria no Domingo de Ramos, onde a população antes do nascer do sol, recolhia e elaborava um ramo de várias plantas, limoeiro (Citrus limon), arruda (Ruta chalepensis), laranjeira (Citrus aurentium), alecrim (Rosmarinus officinalis), oliveira (Olea madeirensis) entre outras, e levava para ser benzido na igreja. Posteriormente, para evitar o mau-olhado e livrar-se dos maus espíritos queimavam e colocavam um pouco dos ramos benzidos numa frigideira velha com carvão, e andavam em cruz pela casa libertando o fumo produzido. Para evitar as trovoadas eram ainda queimados estes ramos benzidos e deitadas as cinzas ao vento. Ainda, para curar da "erisipela" eram passados sobre a zona efetada, pequenos ramos de palma (Phoenix sp.) e oliveira benzidos, enquanto proferiam orações, 9 vezes seguidas. 

Fontes: - Carvalho, L. M. 2011. The Symbolic Uses of Plants, in Ethnobiology. (eds. E.N.Anderson, D.Pearsall, N.Turner), John Wiley&Sons, Inc., NJ, USA  
- Jardim, R., Francisco, D.2000. Flora Endémica da Madeira. Múchia Publicações. Funchal, 339 pp.  
- Ramos, L. 2019. Plantas Aromáticas e Medicinais em Contexto Urbano - Saberes Madeirenses no Concelho do Funchal (Ilha da Madeira). Lisbon Internacional Press. Lisboa, 139 pp.

domingo, 15 de agosto de 2021

Dragoeiro

 Dracaena draco L. é uma espécie endémica da Macaronésia que pertence à família Asparagaceae. A sua resina avermelhada era designada por "sangue de dragão". Os guanches, primeiros colonos da ilhas Canárias, consideravam-na uma árvore sagrada. 

Com inúmeras utilizações, a resina, era usada na medicina e na tinturaria. Na época medieval na Europa continuou-se com aplicação do pigmento.  Mais tarde, no século XVIII, é empregue a resina pelos grandes fabricantes italianos de violinos, como um dos componentes do verniz. 

Na ilha da Madeira, outrora, a resina reduzida a pó é misturada com aguardente e ingerida em casos de contusões internas, adstringente, casos de uretrites e leucorreia, e outros derramamentos internos de sangue. Às feridas era adicionada resina para estancar rapidamente o sangue .

Sabias Que?

Antigamente, a resina da árvore era usada como "incenso".